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  • Caio Bruno

2020 não é 2022



As eleições municipais que chegaram ao fim no dia 29 de novembro trouxeram uma realidade já constatada por quase todos os jornalistas e analistas políticos. O Centro e suas ramificações à direita e à esquerda foram os grandes vencedores do pleito.


Outro dado inquestionável é que o eleitorado jogou um grande balde de água fria no Bolsonarismo demonstrando estar cansado dele e no Partido dos Trabalhadores mostrando que não tem saudade de Lula e sua turma.

Alguns, entretanto, cravam que essas forças estão derrotadas de véspera para as próximas eleições presidenciais daqui a dois anos. A história mostra que não é bem assim. Nem sempre o escrutínio municipal antecipa o geral.


Óbvio que Jair Bolsonaro e o PT saíram enfraquecidos das urnas, mas é fato também que eles têm base resiliente e fiel. O presidente foi completamente derrotado nos grandes colégios eleitorais, elegendo pouquíssimos aliados, mas tem “apenas” a máquina federal nas mãos.


O que o prejudica para 2022, além das questões corriqueiras de uma gestão e as extraordinárias como o efeito da pandemia na economia é que seu grupo político é disperso e não centralizado em um partido com toda a estrutura e o ganho que isso possa ter. A aposta, tão somente nas redes sociais e na figura do chefe do Executivo podem custar caro, mas mesmo assim, ainda terá forças para estar no 2º. Turno, principalmente se conseguir se aliar com nacos mais conservadores do chamado Centrão.


Do lado do PT, o revés é sentido na diminuição do número de prefeituras, incluindo aí a ausência nas capitais pela primeira vez na história, pelo fato de outras siglas de seu espectro como PDT e PSB, mostrarem robustez política e do crescimento de outra agremiação, essa saída da sua costela, o PSOL, tendo bom desempenho em São Paulo com Guilherme Boulos. Apesar disso, o partido ainda tem a maior bancada de deputados da Câmara e é o que tem mais governadores.


Obviamente que em ambos os casos serão necessárias costuras e acordos, já não há mais hegemonia como antes em nenhum dos casos e ambos terão que entrar no jogo político democrático que vigora desde a Constituição de 1988. Outro fator a ser considerado é como o centro vai se comportar em 2022. Haverá união em torno de um nome ou divisão? Haverá defecções que tendam para o presidente ou para a esquerda que gira em órbita do PT? E a Frente Ampla que se avizinha? Vai sair do papel?


Muitas perguntas e poucas respostas no horizonte e, como diria Garrincha, é necessário “combinar com os russos” também, no caso o eleitor e este sabe muito bem diferenciar uma eleição municipal de uma presidencial.

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