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  • Caio Bruno

3ª via: entre a mudança de discurso e a figuração




De acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de outubro, a polarização entre o atual ocupante do cargo, Jair Bolsonaro (PL) e aquele que que foi inquilino do Planalto de 2003 a 2010, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está consolidada e provavelmente o próximo presidente será um dos dois.


Claro que ainda faltam pouco mais de seis meses para a disputa e que outros fatores podem influenciar como a propaganda gratuita no rádio e na TV (que já teve influência maior aliás. 2018 que o diga), as convenções, federações, conjunturas econômicas e sociais nacionais e mundiais e outras questões que possam surgir, mas os levantamentos atuais mostram algumas características que não podemos ignorar. São elas: a resiliência do eleitorado do presidente Bolsonaro e o alto número de votos fidelizados dele e de Lula por meio da pesquisa espontânea.


Vamos usar como exemplo a pesquisa Ipespe divulgada no último dia 11 de março. O cenário geral mostra o petista estabilizado com 43% e o ex-capitão com leve melhora alcançando 28% dos índices na modalidade estimulada quando são apresentados aos eleitores cartela com o nome dos pré-candidatos. Já na espontânea, quando o entrevistado cita o postulante sem qualquer incentivo, Lula tem 36% ante 26% de Bolsonaro. Esses números mais ou menos se repetem ao menos desde novembro.

Intenção espontânea é uma expectativa de voto mais certa e firme e de difícil reversão.


De acordo com a pesquisa, quase dois terços dos entrevistados (62%) já decidiram entre o ex e o atual presidente da república, o que mostra que o caminho da chamada 3ª. via é difícil e se complica mais ainda com sua divisão e discurso.


Absolutamente todos os pré-candidatos dessa via alternativa (incluindo aí Ciro Gomes que não se considera como tal) insistem no discurso da negação, do chamado “nem-nem” – Nem Lula e Nem Bolsonaro, mas simplesmente não apresentam de forma clara o que fazer e como conquistar os eleitores já consolidados de ambos e os indecisos. É um grande erro de comunicação.


Ainda há tempo de ajustar a estratégia. Mostrar que são diferentes dos dois que polarizam as intenções de votos, que cada um deles têm suas características, mas que já tiveram sua oportunidade e que agora é a hora de virar a página para um novo momento nacional com projetos e propostas.


Assim talvez consigam conquistar aqueles eleitores que ou estão indecisos ou que acabam indo para um dos lados por inércia apenas para combater o outro. Se os pré-candidatos da 3ª via continuarem com esse discurso “nem-nem” farão apenas figuração para a volta de Lula ou a reeleição de Bolsonaro.

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