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  • Caio Bruno

70 anos da Televisão Brasileira




Era um 18 de setembro como hoje, em uma segunda-feira de final de inverno em São Paulo inaugurava-se a primeira emissora de televisão do Brasil, a Tupi, canal 3, idealizada pelo empresário, jornalista e acima de tudo controverso e pioneiro no ramo da comunicação, Assis Chateaubriand. O primeiro programa pouca gente viu, havia apenas algumas dezenas de aparelhos televisivos espalhados pela capital paulista, a primeira década da TV aliás não foi lá muito popular e o rádio ainda predominava entre a população. O jogo começou a virar na década seguinte com o aumento no número de emissoras e aparelhos.


Mas este não é um texto cronológico. Quem quiser saber a história da mais nova septuagenária do pedaço pode buscar bons livros e textos pela internet. Falar da televisão brasileira pra mim é sempre um enorme prazer, uma paixão.


Como todo brasileiro de outros tempos, fui colocado em contato com esse veículo de comunicação desde muito pequeno e não sei bem ao certo, mas já no final da infância e pré-adolescência me interessei por sua história. Na época (estamos falando dos anos 1990), os mecanismos de estudo e pesquisa não eram tão abundantes como atualmente, mas mesmo assim fui me inteirando cada vez mais do assunto, perguntando aos mais velhos, assistindo a programas que revisitavam o acervo das emissoras e lendo muito.


A televisão foi e ainda é um retrato do brasileiro. Ditou e dita a moda, influencia decisões e gostos e, com certeza, ao lado do rádio fez muita companhia para as pessoas em diversos momentos de suas vidas.

Hoje, ao completar 70 anos, a TV brasileira passa pela sua maior crise de identidade e mudança de linguagem. Sai de cena a influência inicial do rádio, do circo, do melodrama latino e dos shows americanos e entra uma coisa pasteurizada acenando ao streaming e a formatos prontos lá de fora. Uma hora ela vai acertar, afinal está em mutação como o mundo todo.


Esse texto acima de tudo vai para os pioneiros da televisão brasileira. Pessoas que permeiam o subconsciente brasileiro há décadas. Ainda há alguns deles entre nós como Lima Duarte, Tarcísio Meira, Boni, Glória Menezes, Laura Cardoso, Eva Wilma. Outros como Hebe Camargo, Flávio Cavalcanti, Walter Clark e Vida Alves já entraram para a história.


A foto que ilustra o texto é a mais representativa na minha opinião dos 70 anos de nossa TV. Dois pioneiros e que são considerados os maiores apresentadores de sua história. Chacrinha e Silvio Santos. Um se foi em 1988 aos 70 anos, o outro chega aos 90 em dezembro. São retratos na parede. O trem da história televisiva passou e o que vivenciamos é uma senhora aos 70 anos tentando se reinventar.


© Caio Bruno - 2020

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