Buscar
  • Caio Bruno

A solidão do Papa




Apesar da formação familiar católica, eu não tenho religião. Me conecto com o além à minha maneira, troco energias e converso com o Altíssimo da forma que acho adequada e o enxergo de várias maneiras.


Mas a imagem do Papa Francisco na última sexta-feira (27/3) dando a bênção Urbi Et Orbi em um Vaticano completamente vazio pela primeira vez na história mexeu comigo e com o mundo. É um momento que entrou para a história automaticamente e que, com certeza, será lembrado em qualquer retrospectiva, programa de TV, vídeo, documentário, que se fará sobre a pandemia do Coronavírus daqui há décadas, quiçá, séculos.


Ali não vi a autoridade papal, apesar de respeitá-la.

Ali eu vi um senhor octogenário, com dificuldades de locomoção e do grupo de risco da doença que assola o mundo cumprindo sua responsabilidade de fé no limite.

Um gesto zeloso, permissionário, humilde.


Naquela praça de São Pedro vazia paradoxalmente estava a humanidade representada em sua instituição mais antiga e tal qual ela, cheia de erros, culpas e desvios.

Em cada barulho do vento sob o concreto frio da esplanada.


A imagem do chefe da Igreja Católica orando sozinho contra um inimigo invisível é deveras simbólica e cinematográfica. Que possamos sair melhores desta. Se não como sociedade, como cada indivíduo.


5 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo