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  • Caio Bruno

A Volta


(Qualquer semelhança com algum personagem religioso fictício ou não é mera coincidência)


De tanto ouvir apelos e súplicas das mais variadas nações, classes e manifestações artísticas (vide exemplo aquela música "Meu amigo volte logo, venha ensinar meu povo. O amor é importante, vem dizer tudo de novo) e também cansado de usarem seu nome em vão para conseguir dízimos e chantagens emocionais, Ele decidiu retornar mesmo com a vida boa que levava em algum lugar por aí.


Chegou sem trombetas e sem alarde. Não foi reconhecido por absolutamente ninguém e ainda se assustou quando se viu em desenhos e simbolismos. Sua aparência morena queimada de sol, cabelos encaracolados, estatura mediana e olhos fortemente castanhos, não condizia em nada com aquele biotipo alvo caucasiano que pintavam. Não se importou.


Parou em uma praça no centro da cidade ao lado de mendigos, prostitutas e marginalizados. Falou do amor, da solidariedade, do perdão e da importância maior do ser sobre o ter. Arrebatou considerável plateia.


Foi tachado de comunista, arruaceiro, subversivo, louco e todos os istas dos tempos atuais. Foi preso por clamor popular e morreu crucificado em alguma cela do sistema prisional.


Já já vão pedir que Ele volte de novo. Dessa vez acho que os clamores serão em vão.

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