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  • Caio Bruno

A volta do Ministério das Comunicações


Foto: Governo Federal

Anunciada na noite do último dia 10 de junho nas redes sociais pelo presidente Jair Bolsonaro, a recriação do Ministério das Comunicações com a nomeação do deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) é envolta de alguns significados com consequências políticas e também no referido setor da pasta.


Politicamente, a nomeação do parlamentar é mais um aceno do Planalto ao grupo de partidos do Centrão em busca de apoio parlamentar.

Entretanto, o tema deste artigo é analisar o que significa do ponto de vista da comunicação estratégica do governo a volta do Ministério criado em 1967 e extinto por Temer em 2016.


Com Fábio Faria no primeiro escalão de seu governo, Bolsonaro fortalece e, de certa forma, ‘amarra’ um dos maiores conglomerados de comunicação do país ao seu lado. O novo ministro é casado com uma das filhas do apresentador e empresário Silvio Santos, dono do Sistema Brasileiro de Televisão, emissora que já nutria simpatia pelo ex-capitão do Exército.


Em um momento que os núcleos de redes sociais sob sua influência, que sempre foram o forte de sua comunicação, sofrem baque devido ao inquérito das Fake News conduzido pelo STF, o presidente vai se fortalecendo com suporte explícito de grandes veículos como o SBT e a Record de Edir Macedo em contraponto à líder Rede Globo que aparentemente está em campo oposto.


A política de gestão e aplicação das verbas publicitárias do Governo Federal não deve sofrer grandes alterações uma vez que continuam sob o comando de Fábio Wajngarten, agora promovido a secretário-executivo da nova pasta, abaixo apenas do ministro.


Entretanto, as funções do Ministério das Comunicações são mais amplas. Entre as competências definidas por lei do setor estão a concessão e (eventualmente cassação) de emissoras de rádios e TVs, a política de telecomunicação e tem em seu ‘guarda-chuva’, a EBC (Empresa Brasileira de Comunicações), a Telebras, a Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações) e os Correios.


Caberá à pasta também o leilão do 5G. De acordo com analistas, será o maior leilão de radiofrequências da história do país e a maior oferta pública de capacidade para a tecnologia móvel de quinta geração no mundo movimentando grande volume financeiro e de interesses.


Posto isso, podemos esperar um Ministério das Comunicações em que Bolsonaro recoloca as cartas na mesa, tenta profissionalizar e expandir sua atuação na área, avançando degraus em sua batalha quase pessoal na narrativa da informação. Resta saber se dará certo. Neste governo, quem cria certa independência e/ou contraria os interesses do presidente e da família não têm futuro.


© Caio Bruno - 2020

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