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  • Caio Bruno

Bolsonaro e o Brasil real



De acordo com as últimas pesquisas de opinião divulgadas, o presidente Jair Bolsonaro alcançou os melhores índices de aprovação desde o início de seu mandato em janeiro do ano passado. O maior crescimento quantitativo se deu na região Nordeste. Em média, o ex-capitão do Exército conta com quase 40% de ótimo/bom.


Alguns analistas – ao se depararem com esses números – cravaram o favoritismo de Bolsonaro à reeleição em 2022, já outros menosprezaram o aumento de popularidade do presidente comparando-o com os mesmos índices de seus antecessores (ele só tem aprovação melhor que a de Collor com o mesmo tempo de mandato) e também dizendo que o crescimento se deu devido ao auxílio emergencial distribuído à milhões de pessoas.


Nem muito ao céu e nem tanto ao inferno. Bolsonaro está ficando mais popular por uma série de fatores mais complexos e um deles é sua conexão com o Brasil Real, que muitos dos players políticos tradicionais não identificaram e/ou perderam a conexão.

Sempre houve uma parcela do país que se manteve em silêncio e buscava uma referência sem encontrar. É uma parcela que é (hipocritamente em sua maioria) conservadora nos costumes, não tem noção de posicionamento econômico (a não ser o do próprio enriquecimento) e busca se aliar com quem lhe oferece vantagens. Seja um partido de esquerda, de direita, militares, milícias, crime ou igrejas. É esse Brasil que Bolsonaro soube ler.


No cenário político-eleitoral atualmente, o presidente nada de braçadas deixando toda a classe política atônita. A esquerda parou no tempo e não consegue se inserir nos tempos atuais. A principal força desse campo, o PT, prefere uma pauta de odes ao seu líder inconteste, Lula. Esquecendo que já faz uma década que o ex-torneiro mecânico saiu da presidência. Um jovem de 20 anos, hoje, era uma criança em 2010 e um adolescente quando Dilma ruiu. Que ligação teria, em qualquer classe social, com as políticas sociais petistas e seus governos?


As demais forças de oposição ou se apegam a discursos insignificantes ou flertam com o governo em algumas pautas, há siglas inclusive, na espera de aderir ao poder atual. Em suma: não há alternativa palatável ao bolsonarismo que chegue ao Brasil real. Ou realmente há quem acredite que a superestimação de pautas identitárias e discursos de “lacração” e “cancelamentos” importam para as pessoas que dependem de auxílios emergenciais para alimentarem-se?


Importante lembrar que todas as crises que o presidente atravessou em seus 20 meses de governo foram causadas por puro fogo amigo tanto é a letargia política que paira no país. Não sou adepto da vidência e nem de apostas por isso não cravo resultado eleitoral com dois anos de antecedência. Mas uma coisa é certa: ou as forças contrárias a Bolsonaro saem de suas bolhas e se conectem com as pessoas que fizeram e fazem o Brasil apresentando uma pauta ou, a inércia prevalecerá e o pêndulo cairá para o lado do presidente.


© Caio Bruno – 2020

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