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  • Caio Bruno

Bolsonaro X Dória: análise da comunicação



Potenciais rivais nas eleições presidenciais de 2022, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), travam em campos opostos desde o início da pandemia da Covid-19, o controle da narrativa, da condução dos rumos e das diretrizes a serem seguidas. E usam para isso, a comunicação, claro.


Enquanto o presidente segue fiel ao seu estilo de se comunicar “sem intermediários”, utilizando-se das redes sociais com todos os seus artifícios, aglomerações informais e de uma linha de ataque a imprensa, o governador utiliza o receituário clássico. Coletivas com médicos e demais quadros de seu governo, frases de efeito e uma postura mais contida, o oposto do ocupante do Planalto.


O episódio mais recente dessa disputa e da diferença de modelos aconteceu no último dia 17 quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o uso emergencial das vacinas do Instituto Butantan (ligado ao Governo de São Paulo) e da Fiocruz (órgão do Governo Federal).


Em um trabalho planejado e produzido nos mínimos detalhes, imediatamente após o termino da reunião do órgão regulador João Dória entra no ar em emissoras e redes sociais promovendo a vacinação contra a Covid-19 da primeira pessoa do Brasil. A escolhida foi a enfermeira negra Mônica Calazans, um ato com vários simbolismos. Em um cenário montado com direito a camisetas personalizadas, depoimentos e entrevistas, o governador paulista conseguiu a tão sonhada primeira foto da imunização e os holofotes.


A reação do Governo Bolsonaro foi uma coletiva improvisada em simultâneo em que o General Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, lamentava o “golpe de marketing” do mandatário paulista e reafirmava o comando da gestão federal na vacinação nacional. Na cena montada às pressas, foi percebida também a ausência de repercussão. Havia apenas dois microfones na mesa da autoridade máxima da saúde do Brasil: da estatal TV Brasil e do SBT.


Paralelamente a isso, Dória rebatia quase em tempo real as falas de Pazuello, outro sinal de comunicação eficaz de retaguarda com boa assessoria, e fortalecia sua imagem de fiador da vacina e da ciência em contraponto ao estilo negacionista do presidente. Bolsonaro, aliás, só se pronunciou no dia seguinte e de forma lacônica.

Para nós, profissionais do marketing político, é fundamental acompanhar e analisar o trabalho desenvolvido no setor e trazer ao público, de forma transparente, as ações que tanto impactam na vida das pessoas. O julgamento de quem se comunica melhor entre os personagens acima citados, deixo ao caro leitor.


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