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  • Caio Bruno

Brasilidade
















Bom mesmo são essas coisas que passam décadas, mudam presidentes, regimes políticos, crises e climas e continuam perseverando firme e forte no Brasil. É o que faz o nosso país ter o mínimo possível de identidade.


Como aqueles botecos de esquina, meio sujos, mal iluminados, com aquela estante abarrotada de garrafas, mesas de fórmica colorida, quadro do time do dono afixado no topo e sempre meia dúzia de fiéis fregueses beberrões comentando o futebol.


O frango assado na “televisão de cachorro” nos domingos de manhã, com aquela cerveja para abrir o apetite e os palpites para o jogo de logo mais a tarde. O almoço em família, clube, soneca e televisão.

As senhoras e senhores que mesmo não precisando, levantam quase em alta madrugada, a oração iniciando o dia, o cheiro do café sendo feito ao som dos programas populares dos rádios AM e depois passando o dia tocando o barco da vida.


Por falar em Rádio AM, aqui deve ser o único lugar do mundo que existem programas como os que por ele veiculados. Herança latina de velhos tempos, da melancolia lusitana e do fervor espanhol, misturados ao negro e ao indígena.


O passeio na praia no fim do dia, o suor recompensado com ilusão, o sexo matreiro do fim da noite que compensa tudo. A fé cega, morta, viva e inabalada, a “bença”, a frieza e a candura. O Brasil e sua incrível arte de fazer do limão, a limonada.


Não posso terminar esse texto sem falar do Carnaval. Não, isso nunca ninguém vai nos tirar. Podem nos arrebentar, destruir nossa moral, vender o que é nosso. Sempre foi feito isso mesmo, mas o carnaval está na alma. Samba, porre, suor e lágrimas.


Um riso de canto de boca, uma olhada na perna da moça acompanhada e um abraço apertado. Este Brasil não vai morrer nunca. Espero.

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