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  • Caio Bruno

Histórias além da história

Atualizado: 16 de Jan de 2020



Ando cada vez mais fascinado pela América Latina, mais precisamente pela do Sul. Culinária, costumes, locais e cultura. Assim sendo, estou lendo freneticamente diversos autores aqui do continente. Neruda, Cortazar, Vargas Llosa, entre outros e claro Gabriel Garcia Marquez, um dos maiores do mundo.


Na saga sul-americana, os sebos são uma fonte de abastecimento. Dia desses ao caminhar pela Rua Augusta em busca do mega-clássico “Cem Anos de Solidão”, deparei-me com aquelas barracas de livros usados em plena calçada e perguntei ao rapaz se ele tinha a obra citada.


Ele pede-me um tempo e volta com uma edição um pouco surrada e gasta do clássico maior de Gabo. “Está um pouco antiga, mas se quiser arranjo uma edição nova só que custa um pouco mais”. O pouco mais era o triplo do valor pelo mesmo conteúdo editorial. Levei a velha mesmo e ao começar a folheá-la me ative a detalhes despercebidos.


O livro em primeira edição, de 1971, portanto quatro anos após o lançamento original em espanhol, é numerado (número 807) e foi impresso por uma desaparecida Sabiá Editora, que ficava na clássica Rua Toneleros, onde Carlos Lacerda 17 anos antes sofrera atentado que culminou com suicídio de Vargas, no Rio de Janeiro - “GB” (Finado estado da Guanabara).


Ao adentrar cada vez mais as entranhas da história da família Buendia, de Macondo e dos Aurelianos e José Arcadio, passo pelas páginas amareladas do livro, o português com as regras gramaticais de então e a diagramação tosca da época e começo a pensar por onde e com quem esse exemplar já passou.


Foi comprado onde? Quantos donos teve? Como saiu do Rio de Janeiro e veio parar numa banca a céu aberto na Augusta quase esquina com a Paulista. Gabriel Garcia Marquez sempre foi um escritor mais lido por universitários e outros setores mais de vanguarda da sociedade. E se seu primeiro dono foi um opositor da Ditadura e pereceu em algum porão? Afinal, 1971 era o auge dos anos de chumbo. Como esse exemplar sobreviveu tanto tempo?


Histórias além da história, reflexões e imaginação que só quem se permite embarcar nessa paixão chamada literatura pode sentir.

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