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  • Caio Bruno

O Brasil e sua vacina secreta


Praia de Ipanema no Rio de Janeiro no dia 5 de setembro (Folhapress)

Aparentemente a maioria dos brasileiros se autodeclarou imune ao Covid-19. Criou-se uma vacina secreta e de tão misteriosa que ela é, não precisa sequer ser aplicada. Basta seguir os componentes que a integram e está tudo certo.


Aqui vão eles: Primeiro uma boa dose de irresponsabilidade. A começar pelo Governo Federal que, já não bastasse não investir até agora um centavo em campanha publicitária pregando medidas sanitárias, ainda conta com um garoto propaganda de peso em boicotá-las: o presidente da república.


Se o exemplo de cima não é bom, embaixo também não será. E aí o efeito é cascata com praias e ruas lotadas, bares e restaurantes abertos e festas ao bel prazer. Aqui entra um composto também de negação da doença, que se manifesta de duas formas, ou em uma característica psicológica na linha do “se eu não pensar, não existe” ou em teorias da conspiração negacionistas mesmo como que o vírus é comunista ou coisas do gênero.


Há também uma dose de necessidade. Muitas pessoas Brasil afora simplesmente não tiveram a opção de parar ou de fazer o distanciamento social e a quarentena. Seja pelo medo do desemprego e da fome e/ou por morar em habitações numerosas. Esse elemento entra em reação com o da negação psicológica e a salvação religiosa e o cidadão começa a pensar ser um “escolhido” para a imunização: “Deus não me castigaria com mais essa doença”.


Outro princípio ativo da vacina secreta brasileira é a impaciência. As pessoas têm algumas dificuldades em respeitar orientações em massa, por diversas razões, algumas delas já enumeradas aqui. Com uma quarentena informal, um distanciamento nem tão distante e um presidente indo na contramão da ciência, nunca conseguimos índices satisfatórios de isolamento social.


Com parte da população não seguindo o lema “Fique em Casa”, a parcela que seguiu, com o passar do tempo, começou a se inquietar. O que até é natural, já que são meses de privação e o ser humano não aguenta o quase cárcere por muito tempo e começou a sair e retornar sua vida ao normal. Com cuidados ou não.


O resultado? Naturalizamos as mais de mil mortes de brasileiros por dia há dois meses, vemos o movimento antivacina (que sequer existe ainda) crescer cada vez mais e vamos fingindo que está tudo normal em cada brinde viral no bar e nas aglomerações nas praias e nos hospitais. Não tem como dar certo.


© Caio Bruno - 2020

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