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O que esperar de Regina Duarte na Cultura?


Regina Blois Duarte, 72, é, sem dúvida nenhuma, uma daquelas personalidades que exemplificam e encarnam o retrato do Brasil em seu imaginário popular e de sociedade. É como Silvio Santos, Renato Aragão, Roberto Carlos, Pelé e Tarcísio Meira. Está presente há tanto tempo no showbiz nacional que penetrou no subconsciente coletivo.

Com 55 anos de carreira na televisão, Regina fez dezenas de novelas, minisséries, peças de teatros e filmes. É atriz consagrada e está no panteão da categoria.


Seu envolvimento com política foi nulo até o final dos anos 1970 quando se engajou na campanha ao senado de Fernando Henrique Cardoso em 1978. Sua participação vai aumentando paulatinamente ao estar no palanque das Diretas Já (1984) e novamente apoiando FHC em 1985, desta vez em sua fracassada candidatura a prefeitura de São Paulo.


Sempre dando seu apoio ao PSDB, Regina voltou aos holofotes em 2002 ao estrelar vídeo da campanha presidencial de José Serra dizendo ter “medo” da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2018, deixou de lado os tucanos, fechou com Jair Bolsonaro e desde então é uma das maiores apoiadoras do atual governo. Em 29 de janeiro desse ano aceitou o convite do presidente e se tornou Secretária Nacional de Cultura.


Colocado esse breve histórico político da atriz o que se debate é: como será e por quanto tempo durará a gestão de Regina Duarte à frente da pasta? A relação entre a classe cultural e o governo Bolsonaro é péssima desde antes mesmo de sua eleição, ainda em 2018, quando artistas promoveram atos contra sua candidatura. De lá para cá, a situação só piorou com ataques sistemáticos do governo, desmonte de programas de incentivo e tentativas atrapalhadas de censura. Do lado dos agentes culturais também não há trégua e assim criou-se um fosso que a nova secretária de Cultura terá que lidar.


Resta saber se Regina terá a autonomia e a vontade para construir as dinamitadas pontes com o meio e se saberá lidar com todo o complicado jogo político de Brasília, a influência dos filhos do presidente e da ala Olavista do governo. Seus primeiros sinais foram dúbios. Pediu união da classe artística ao mesmo tempo que nomeou uma “reverenda” para ser sua número 2 na pasta. Afinada ideologicamente com Bolsonaro e personalidade nacional de história e relevo, ela terá de demonstrar um jogo de cintura que até agora ninguém teve no governo. E também uma boa couraça para aguentar as críticas e as pancadas.


De um lado e de outro. Vai ter que se equilibrar entre a submissa namoradinha do Brasil, (papel que encarnou em diversas novelas nos anos 1970) e a independente e espivetada Viúva Porcina interpretada por ela na novela Roque Santeiro (1985).

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