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  • Caio Bruno

Os 50 anos do tri – O maior fantasma do futebol brasileiro


Foto: AP

Engana-se quem pensa que o maior fantasma do futebol brasileiro seja o Maracanazzo da derrota nunca vingada para o Uruguai por 2 a 1 na final da Copa de 1950 e tampouco a humilhação suprema da derrota por 7 a 1 diante da Alemanha no Mundial de 2014 também em solo nacional. Há exato meio século, em um domingo como este, nascia a maior sombra do futebol brasileiro.


Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Tostão, Rivelino, Jairzinho e Pelé entraram em campo no Estádio Azteca, na Cidade do México e em uma das maiores (se não for a maior) atuação coletiva da história massacram a Itália por 4 a 1 diante de 107 mil pessoas e se sagraram tricampeões mundiais de futebol. A primeira seleção a alcançar o feito.


A posse definitiva da Jules Rimet (que seria roubada e nunca mais localizada em 1983 no Rio de Janeiro) naquele momento em que Carlos Alberto a erguia diante da multidão extasiada marcara o nascimento da mística sobre a seleção de 1970.


O caminho começara desacreditado, com troca de técnico faltando três meses para o início do torneio, mas logo deu lugar a toda aura existente até hoje. Gols perdidos de Pelé em lances que nunca seriam repetidos posteriormente, a dura parada contra a Inglaterra, Jairzinho marcando em todos os jogos, a quase vingança contra o Uruguai na semifinal e o espetáculo contra a Itália coroado no último gol em que oito jogadores brasileiros tocam na bola. Obra prima.


A seleção canarinho de 1970 é um fantasma porque em algum momento se cobra que haja um time parecido. Aqui ou lá fora. Até agora nunca houve e não sei se haverá. Sempre que um escrete surge como um trator obtendo bons resultados e lindos lances vem a eterna comparação: “Será o novo time de 1970?”


O único Brasil que chegou perto foi o de 1982, segundo os especialistas do esporte bretão, mas caiu para a Itália nas quartas de final. E vocês sabem como é. Aqui só importa vencer. Ser o vice-campeão ou o último é indiferente e o destino é o mesmo: o limbo.


Em toda a Copa do Mundo os velhos jogos são reprisados, lances comentados e depoimentos dos remanescentes são tomados. Já ganhamos duas edições do torneio de lá para cá (1994 e 2002) e em todas elas lá estava o fantasma de 1970 rondando em repetecos do gol de Carlos Alberto contra a Itália ou o drible da vaca do Rei do Futebol no goleiro uruguaio.


Cabe aqui uma provocação ao leitor que presenciou o escrete ou àqueles que como eu, nasceram anos depois e só conviveram com a doce assombração de Rivelino, Gerson, Tostão e cia. Será que realmente 1970 foi nossa melhor seleção? E o que dizer de 1958? A única em que os dois maiores da história, Pelé e Garrincha, jogaram lado a lado uma copa inteira?


Enquanto escrevo esse texto na minha cabeça pululam os lances, as histórias de quem estava lá na torcida, mas vem também a infame marchinha “Pra Frente Brasil”, que com o tempo se tornou um fantasma, mas ligado a péssima recordação daqueles dias de chumbo.


© Caio Bruno - 2020

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