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  • Caio Bruno

Quando Rubem Fonseca me salvou



Rubem Fonseca era o maior contista vivo que o Brasil tinha até o último dia 15 de abril quando nos deixou vítima de um infarto aos 94 anos. Já li algumas de suas obras e aqui relato uma passagem de minha vida em que, obviamente sem saber, o escritor me manteve devoto praticante da literatura.


Há alguns bons anos, desiludido com os rumos profissionais e apertado pelas circunstâncias de então, dei para renegar de alguma maneira a escrita opinativa e literária que sempre exerci de forma não remunerada financeiramente. Na verdade, escrever pra mim é fundamental para viver, mas esse é outro assunto.


Achava então que aquilo não serviria para nada e que eu era apenas mais um medíocre alfabetizado que conseguia juntar dois ou três parágrafos com o mínimo de coesão e coerência e que ninguém lê e/ou gosta do que produzia. Besteiras que acometem vez em quando a todos nós, ainda mais os que mexem com textos, sons e arte.


Foi quando caiu em minhas mãos o livro “Feliz Ano Velho” (1975) de Rubem Fonseca, o segundo dele que li em minha vida (o primeiro, influenciado pela minissérie da Globo e pelo tema, foi “Agosto”).


Comecei a ler reticente e logo no primeiro conto, com o mesmo nome do livro, já fiquei de cara e aí foram apenas dois dias para devorar a obra e tomar gosto novamente pela literatura, por escrever, contar histórias, romancear fatos, criar situações, dar vida a personagens, enfim, todo o caldeirão de signos que é necessário para a vida.


Se continuo operário das letras, Rubem Fonseca e tantos outros têm participação nisso e como ele diz no conto “Pierrô da Caverna”,

Quanto a mim, o que me mantém vivo é o risco iminente da paixão e seus coadjuvantes, amor, ódio, gozo, misericórdia.”

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