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  • Caio Bruno

Radicalismo calculado




O ano de 2021 vai chegando aos seus últimos dias com o presidente e virtual candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) se despindo do vestuário moderado dos últimos meses e retornando ao seu modelo raiz de radicalização, enfrentamento e negacionismo.


Após passar todo o mandato fazendo questão de elevar a temperatura em discursos e ações contra o dito “sistema” (mais precisamente o Legislativo e o Judiciário), adotar postura negacionista durante a Pandemia da Covid-19 e ameaçar o pleno funcionamento dos poderes cujo ápice foram as manifestações de 7 de setembro passado, o presidente se moderou levemente e seu histrionismo deu vez a uma discrição incomum em sua trajetória.


Entretanto o figurino durou pouco. Acuado pelas sucessivas quedas de popularidade nas pesquisas de opinião pública e tendo em seus calcanhares eleitorais seu ex-ministro Sérgio Moro (Podemos), Bolsonaro nos últimos dias voltou ao velho personagem com declarações polêmicas sobre medidas sanitárias, vacinação e ataques a ministros do STF (especificamente Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes).


Esse radicalismo do presidente repercute, claro, sua personalidade e atuação pública já conhecida há décadas, mas também é cálculo político voltado para as eleições do ano que vem quando ele tentará um novo mandato.


A estratégia é simples: vendo Moro lhe roubar votos pela direita, Bolsonaro resolveu partir para o extremismo novamente para manter sua base mais radical fiel o que ele acredita que seja o suficiente para levá-lo ao 2º. turno. Uma vez na segunda rodada da eleição, aí é outra história.


Será que é uma tática correta falar e governar só para uma parcela da população com vistas a dividendos eleitorais? As pesquisas apontam que não. A conferir.

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