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Sérgio Murilo: o esquecido primeiro rei do rock nacional



Um dos períodos da música brasileira que merecem resgaste histórico e pesquisa é o início do Rock que compreende desde quando o novo ritmo aportou por essas bandas em 1955 com a versão de Nora Ney para Rock Around the Clock, chamada aqui de Ronda das Horas até 1964 às portas do lançamento do programa de TV e consequentemente do movimento da Jovem Guarda.


O pouco que se comenta e se lembra dessa fase inicial foca principalmente em Celly Campello, Carlos Imperial e seu Clube do Rock e em uma ou outra música versionada interpretada por artistas e bandas que (alguns ainda vivos) a indústria cultural fez questão de apagar. Um dos motivos desse total breu dos pioneiros se deve ao fato de que – usando uma gíria da época - o quente daquele momento era a Bossa Nova e seus jovens classe média da zona sul carioca.


Na semana em que perdemos um dos grandes roqueiros do Brasil, Renato Barros, que foi importantíssimo para moldar a música da Jovem Guarda com arranjos e composições, vamos resgatar o primeiro ídolo de rock do país e que ostentou nesses primeiros anos do ritmo o título – vejam só - de Rei: Sérgio Murilo.


Carioca nascido em 1941, de família de classe média alta, Sérgio iniciou a carreira cantando em programas infantis do rádio e TV na década de 1950. No final da mesma, teve início sua trajetória fonográfica gravando compactos com rocks e chá-chá-chá. Teve seu primeiro sucesso com Marcianita em 1959. O estouro vem em 1960 com o lançamento do LP com seu nome que continha o hit Broto Legal, marco dessa época ao lado de Estúpido Cúpido da já citada Celly Campello.


Em 1961 Sérgio Murilo foi eleito o Rei pela Revista do Rock e continuou desfilando sucessos roqueiros abolerados, bem característicos daquela época. Importante lembrar que o rock no Brasil sempre foi miscigenado e com influências de outros ritmos.

Dono de uma personalidade forte, o astro em 1962 começou a questionar sua gravadora, a CBS (atual Sony Music) sobre venda de discos e mudanças de repertório chegando a mover uma ação jurídica contra ela. Aqui praticamente acaba sua promissora carreira. A gravadora o manteve na geladeira, fechou as portas para ele em outras e começou a investir em um outro jovem de seu cast, transformando-o em roqueiro. Um capixaba que tentou gravar bossa nova e boleros e não emplacava: Roberto Carlos.


Sérgio Murillo ainda lançou alguns discos sem repercussão nenhuma, flertou com a MPB intelectualizada ao gravar o então desconhecido Caetano Veloso em 1966, tentou careira internacional e teve apenas uma lufada de sucesso novamente quando Broto Legal retornou as paradas em 1976 no esteio da novela da Rede Globo Estúpido Cúpido. Coisa passageira.


O cantor morreu jovem, aos 50 anos, em 19 de fevereiro de 1992, de câncer no fígado em completo ostracismo. O movimento de rock que o sucedeu, a Jovem Guarda, nunca lhe abriu as portas e o homenageou de uma forma velada que mais parece sarcasmo em Festa de Arromba (Roberto e Erasmo) na frase. “Enquanto Tony e Demétrius fumavam no jardim, Sérgio e Zé Ricardo esbarravam em mim”.


Caetano Veloso com Os Mutantes, Gal Costa, Raul Seixas e mais recentemente Felipe Cordeiro regravaram Marcianita. E só. Sérgio Murillo é praticamente o Wilson Simonal do rock brasileiro. Por outros motivos, mas anulado igual.

© Caio Bruno - 2020

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