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  • Caio Bruno

Tudo como antes


Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Arthur Lira (PP-AL) os novos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados respectivamente

A eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para o comando do Senado e de Arthur Lira (PP-AL) como presidente da Câmara dos Deputados coroou a irremediável opção do Brasil pelo político tradicional e trouxe a certeza que o flerte do eleitorado com o antissistema e com caras novas não passou de um romance platônico de curta duração.


O fiador desse retorno ao status quo foi o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que jogou pesado (com verbas, emendas e cargos) para eleger seus dois aliados no Congresso Nacional. Os novos comandantes das Casas Legislativas federais, aliás, são de dois partidos que descendem diretamente da velha Arena dos anos 1960 e 1970.


O humor do distinto público brasileiro começou a mudar em 2016 na esteira do impeachment de Dilma Rousseff (PT) e no desgaste da classe política ao eleger personalidades como João Dória Jr (PSDB) em São Paulo e Alexandre Kalil (PSD) estreantes nas urnas.


Em 2018, mesmo com 28 anos como deputado e filhos também parlamentares, Bolsonaro foi eleito presidente com discurso de antissistema e de novidade. Na esteira dele, venceram as eleições dezenas de neófitos que venderam ao eleitor que a falta de experiência seria uma qualidade.


Os ventos começam a mudar em 2020 com a vitória dos partidos do chamado Centrão nas eleições municipais e se concretizaram agora com novo êxito desse grupo no pleito do Congresso. Isso se deve principalmente ao esgotamento da Operação Lava Jato e à rejeição de posições extremistas de um lado ou de outro.


Importante lembrar que, apesar de ser uma eleição interna, a disputa congressual pode contar com influência externa da população pressionando a votar ou a não votar em determinado parlamentar por ser de uma corrente política.


O presidente da República sempre foi do sistema e sabe jogar o jogo. Por conveniência, vestiu o manto da negação da política e agora rompeu o véu. Está de braços e abraços com as velhas práticas. Tudo como sempre foi, em maior ou menor grau, desde a redemocratização. Se vai dar certo e qual será a reação de seu eleitorado são outras questões.


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